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Bahia Agríc., v.6, n.1, nov 2003 31
A trajetória do fumo no Estado viu florescer o complexo mica Recôncavo Sul, onde, em
Brasil, desde a sua agroindustrial do fumo. De fato, face às especificidades edafointrodução
como pro- é a partir de meados do século climáticas, se produz o melhor
duto de migrações indígenas, até XIX, que o Recôncavo Baiano fumo para charutos do Brasil, de
a composição de um complexo e enseja o surgimento da indústria qualidade reconhecida internacompetitivo
agribusiness, brasileira de charutos, pon- cionalmente. Criou-se, pois,
demonstra, de modo inequívoco, teando uma trajetória marcada uma verdadeira cultura do fumo,
a importância desta lavoura para pela alternância de períodos de cujos reflexos se estendem até os
a economia nacional. prosperidade e de crise. dias atuais, moldando costumes,
Se para os nossos índios o Assim, a lavoura fumageira comportamentos, relações ecofumo
encerrava um valor mítico construiu uma economia em nômicas, sociais e políticas.
e medicinal, indispensável aos torno de si, responsável pela Com a década de 1960, a
rituais de pajelança, para os geração de renda e de milhares fumicultura baiana mergulha em
negros constituiu-se em porta de de empregos, servindo de uma espiral decrescente. A
entrada para o cativeiro, em face sustentáculo para municípios produção primária experimenta
ao seu uso em escambo nas como Cachoeira, Castro Alves, sucessivos reveses, caindo do
transações dos brancos tra- Cruz das Almas, Maragogipe, patamar de 44 mil toneladas, em
ficantes de escravos com a Costa Muritiba, São Gonçalo dos 1965, para inexpressivas 9,1 mil
da Mina, na África. Campos, São Félix, Sapeaçu, toneladas, em 2002, situação
A Bahia presenciou toda a dentre outros do Recôncavo, demonstrada esquematicamente
história desta lavoura em especialmente da “Mata Fina” - no Gráfico 1, passando, assim,
território nacional. Berço da expressão cunhada pela indús- para o modesto quinto posto no
produção brasileira, da qual tria baiana do fumo para ranking nacional e humilhante
manteve-se na liderança até o designar a zona fisiográfica segundo lugar no nordestino,
início da década de 1950, este localizada na Região Econô- agora liderado por Alagoas.
Augusto Sávio Mesquita*
José Mário Carvalhal de Oliveira**
A cultura do fumo na Bahia
da excelência à decadência
*Engenheiro Agrônomo, Mestre em Política e Desenvolvimento Rural, Técnico da Delegacia Federal da Agricultura na Bahia e Professor da Faculdade de
Tecnologia e Ciências - FTC; e-mail: augustosmesquita@ig.com.br
**Engenheiro Agrônomo, Especialista em Economia Baiana, Diretor de Economia e Política Agrícola da SEAGRI; e-mail: jcarvalhal@seagri.ba.gov.br
A i S R Foto: cervo Bibl oteca / EAG I
0
5.000
10.000
15.000
20.000
25.000
30.000
35.000
40.000
45.000
50.000
1965
1966
1967
1968
1969
1970
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1975
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1987
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1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002*
Fonte: 1965-76 IBGE/SEPLANTEC in ABIFUMO ( 1 9 9 6 ) - 1986-2002 IBGE/SEAGRI
Gráfico 1
Produção baiana de fumo em folha, 1965/2002
em toneladas